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Cap. 57

Ilustração com um fundo preto. Ao centro, está a silhueta com contorno vermelho de um homem caindo. Atrás dele, está a silhueta de um prédio de dois andares, Na frente do prédio há um letreiro escrito ELLE, Abaixo do letreiro, há uma porta branca, em frente `qual está a silhueta de um homem gordo usando gravata vermelha.

No cabaré, Zayn tem sua agonia interrompida pela voz aguda vinda do andar de cima do estabelecimento:

— Solomon, que escândalo é esse aí embaixo?

O trapezista vê uma volumosa silhueta se afastando da janela estilhaçada por onde o corpo de seu irmão despencou.

Ele beija a testa do irmão morto e parte para dentro do Cabaré, subindo as escadas em busca de vingança.

“Lá vai ele morrer de novo.” Pensa Solomon enquanto meneia negativamente a cabeça.

Mal termina a escada, o marroquino se depara com Lucretia ao final do corredor. Ela vê o rapaz e indaga, em meio a um deja vu:

— Você de novo? Eu não acabei de te matar? Cadê os buracos que abri em você, criatura?

O trapezista não responde. Ao invés disso, projeta-se no ar, girando uma cambalhota e acertando o peito de Lucretia com os pés, igual fez seu irmão.

Dessa vez, ela cai em sua cama, sendo seguida por Zayn, que começa a sufocá-la com um travesseiro. Sem muito esforço, Lucretia arremessa o agressor para longe, levanta-se e avança em direção a ele com o travesseiro em mãos.

— Vai me fazer dormir? — desafia o trapezista.

— Sim. — reponde Lucretia, retirando um Remington-Beals do travesseiro e concluindo: — Dessa vez para sempre.

Ela descarrega os cinco tiros da pequena arma, pega o corpo ensanguentado no chão, ergue e arremessa pela mesma janela por onde havia jogado o irmão.

Em frente ao Cabaré, Solomon assiste ao novo corpo cair quase sobre aquele que já estava no chão.

Logo chega Lucretia, descabelada e com um Colt 45 na mão. Ao ver os corpos, ela olha surpresa para Solomon: — Eram dois?

O negro confirma com a cabeça.

Ela dispara dois tiros em cada corpo.

— Será que têm mais deles? — pergunta, assoprando uma mecha de cabelo que insiste em cair sobre sua boca.

Solomon encolhe os ombros indicando não saber a resposta.

— Que venham. — ela dispara mais um tiro em cada corpo por precaução.

Lucretia volta para o cabaré tentando manter os cabelos sob controle com as mãos.

— Solomon! — chama ela. — Suba, querido, por favor. Me ajude a encontrar minha teta direita. Os malditos me acertaram no mesmo lugar do peito as duas vezes.

— Parece que está chovendo homens aqui. — interrompe uma voz rouca.

— Aleluia! – responde Lucretia.
 

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